quarta-feira, 16 de maio de 2012

Lisboa - Avis 2012

Sempre à procura de novos desafios pelos caminhos de Portugal, já que ir para fora é cada vez mais dificil pelo tempo que leva e pelos custos acrescidos e porque cá temos muito por explorar e aproveitar, surgiu a ideia de irmos a Avis a pedalar.

Primeiro era preciso descobrir como lá chegar e por onde ir, já que a ideia era ir por fora de estrada e fugir das nacionais. Com um pouco de pesquisa no Google Earth combinado com o Wikiloc, comecei a ver alguns percursos coincidentes o que indicava que seriam caminhos de fiar. E foi assim que descobri o site das Ecovias de Portugal com a solução para o meu problema. Neste site existe um plano de trajeto entre Lisboa e Badajoz que passa exatamente por Avis e, pronto, o primeiro problema estava resolvido: "Temos caminho!"
Depois foi preciso estuda-lo, analisar a dificuldade, distâncias, acumulado e ler alguns testemunhos de outros para tentar saber se seria possivel ir de Lisboa a Avis num só dia.

Com a ideia e um possivel caminho, foi só lançar o desafio aos restantes BTTistas do LX e marcar data. Óbvio que a adesão foi total e a data ficou marcada para 12 de Maio, o que dava cerca de um mês para treinos.

Depois de algum debate, optámos por iniciar o trilho em Pegões fixando o percurso nuns previstos 127Km e um acumulado inferior aos 1000 metros, e foi assim que o nosso Lisboa-Avis passou a Pegões-Avis.

Pelas 8 da matina de dia 12 lá estávamos os 5 em Pegões para dar início a um dia de BTT que se esperava memorável e com muita curiosidade sobre como seria o percurso.
Existia a dúvida sobre qual a percentagem de fora de estrada que íamos percorrer, já que a ideia de circular em grande parte por estradas nacionais não nos agradava. Preparar, não preparar, tratar de combinações de última hora, despedidas e arrancámos quase às 9 horas.


A previsão apontava para um dia anormalmente quente e daí o nosso objetivo de iniciar a volta bem cedo, e aproveitar as horas da manhã para circular pela fresca.






Apontámos a norte em direção a Canha e onde os primeiros quilómetros tiveram um pouco de estrada, mas rapidamente mudou para trilhos.








Passámos por caminhos com uma paisagem muito familiar, pois já tínhamos participado em algumas provas por aqueles lados.







Os primeiros 40 km seriam sempre a subir para norte até chegarmos a Coruche. Este troço foi praticamente plano e a nossa progressão foi muito boa.



Mesmo antes de chegar a Coruche atravessámos o Sorraia por uns trilhos bem giros e com uma paisagem bem diferente e fresca, ao contrário do que iriamos encontrar mais à frente.


Em 2 horas tínhamos chegado a Coruche entrando pelo lado do rio e por aí ficámos para comprar água, tomar um café e comer alguma coisa.



15 minutos depois fizemo-nos de novo a caminho de Avis e descobrimos uma longa ciclovia junto à estrada que veio mesmo a calhar, pois circulamos muito mais descansados e descontraídos do que quando temos de ir pela estrada sempre em fila e a ter atenção aos carros que passam.

A partir de Coruche começámos a andar em direção ao interior e fomos junto ao Sorraia durante 25km, sempre plano, até Santa Justa. Agora sim o calor começava a apertar e sentia-se o ar pesado e abafado, não fossem algumas nuvens que pairavam no ceu teríamos torrado completamente.
A chegar a Santa Justa comecei a sentir os primeiros indícios de desidratação que começaram a pesar. O calor era imenso e o corpo já não conseguia equilibrar a temperatura convenientemente. Quando parava sentia como se estivesse numa fornalha a escaldar. Eram os primeiros sinais de uma exaustão por calor.
Chegámos a Santa Justa e procurámos um café onde comer, mas não havia nada. nas duas miseráveis tascas desta terra não eram capazes de fazer um prego no pão ou uma simples bifana.
No estado em que eu estava, optámos por parar um momento e beber umas bebidas frescas e conseguimos também desencantar um pacote de batatas fritas. Nada mau, porque permitiu repor liquidos e o sal perdido. E arrancámos de novo, agora em direção a Mora onde esperávamos conseguir comer qualquer coisa.

Agora sim começam a aparecer as primeiras subidas e, por vezes, quando as nuvens destapavam o sol sentia-se este a queimar e bem. Os 35graus que se sentiam às 2 da tarde não ajudavam nada à minha recuperação e o meu ritmo era abaixo de lento. Os restantes tiveram também de reduzir o ritmo senão em poucos minutos ficaria quilómetros atrás.

Pouco depois de termos recomeçado e com o sol no auge da sua força e eu no auge da falta dela, resolvi parar.
O corpo não arrefecia e o coração bombava ao mínimo esforço e por isso a melhor opção foi mesmo encontrar uma sombra e descansar.
Caí ao chão e aí fiquei imóvel por meia hora. Só quando senti que tinha forças é que me levantei.
Este descanso soube-me bem, mas daqui para a frente foi sempre a sofrer...



Até Mora foram mais 11km que se fizeram ao meu ritmo de passeio. Aqui encontrámos um café onde finalmente conseguimos comer umas bifanas numa esplanada e à sombra. O sol continuava quente, quente e por isso poupámo-nos mais um bocado à sombra.
Quando retomámos eram já 4 da tarde e já tínhamos cerca de 87km feitos e íamos começar a apontar a Avis. Entre Coruche e Mora apanhámos muita areia nos trilhos, mas a partir de agora o piso começava a ficar mais aceitável, mas também iam começar as verdadeiras subidas, longas mas pouco inclinadas.
Agora faltavam-nos cerca de 35km até ao nosso destino, basicamente o equivalente de uma volta de domingo. De Mora até Cabeção foram mais 10km e depois faltavam apenas mais 25km para Avis, mas perto do Maranhão tivemos ainda de ultrapassar uma subida de 7km longos.

E pelas 18:00 conseguimos finalmente vislumbrar Avis já bem perto. Como é óbvio o facto de vermos o nosso destino dá sempre aquela motivação extra e vontade de rolar mais rápido para lá chegar.

Depois de quase 130km, a chegada foi triunfal com o povo todo para nos receber, havia comida e bebida, banda e balões!!! era dia de feira medieval.

2 comentários:

  1. Parabéns pela aventura e obrigado pelo relato e pelo testemunho na página das Ecovias.

    Fiquei fascinado com o facto de terem demorado apenas 2 horas de Pegões a Coruche. Foi sempre a rolar bem. Continuem com essa pedalada e aguardem pela Ecovia Lisboa-Porto, para breve.

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    1. Ficamos então a aguardar pelo Lisboa-Porto.

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